Leia o texto abaixo e escreva uma dissertação de, no mínimo, 4 parágrafos, ligando as informações do texto com, pelo menos, 4 conceitos da antropologia clássica.
“Nifda Mohammed, 20 anos, nasceu na Somália. Agora vive nos Estados Unidos, mas o pesadelo da circuncisão feminina ainda a assombra. Em seu país, 98% das mulheres têm toda a parte externa dos genitais removida e a vagina costurada de forma a deixar um buraco de pouco mais de meio centímetro, por onde sai a menstruação e a urina.
Nifda sofreu o procedimento quando tinha 9 anos: "Minha mãe e meu pai juntos me seguraram. Eu gritava de dor e me cortavam, cortavam, cortavam. Demorou tanto..." A "operação", em seu caso, foi feita com uma tesoura de alfaiate -normalmente são usadas facas ou lâminas de barbear, sempre sem anestesia.
Hoje Nifda teme por sua filha de 3 anos. "Minha sogra acha que Amina já está na idade certa de ser cortada. Tenho medo de deixar minha filha com ela, sempre que saio, levo meu bebê junto.
A circuncisão não é um assunto fácil para Nifda, e ela tem vergonha de falar sobre isso: "No meu país, esse é um tabu. Mas preciso falar, porque não quero que minha filha sofra com as constantes infecções que me atacaram nem que tenha as horríveis cicatrizes que dóem quando eu ando ou sento". Cerca de 15% das meninas que são circuncidadas morrem de choque, hemorragia ou infecção.
"Minha vagina ficou tão fechada que o sexo na minha noite de núpcias foi difícil. Quando Amina nasceu, fiz cesariana por causa de todos os meus problemas", conta Nifda. Ela se juntou a Mimi Ramsey, uma enfermeira de 47 anos que foi circuncidada quando criança, na Etiópia, e é a fundadora da associação "Forward USA" (algo como "Estados Unidos para a frente"), que se dedica a educar pais imigrantes sobre os perigos da mutilação feminina.
Por meio de Ramsey, Nifda achou um médico americano que a operou para amenizar os problemas da circuncisão. Nifda também pediu a Ramsey que conversasse com sua sogra, "mas ela não se convenceu. É uma pessoa sem estudo, acha que isso é essencial. Na minha cultura, eu preciso obedecer a minha sogra."
Como nos Estados Unidos o procedimento é ilegal, geralmente são os próprios pais que fazem a operação. "Um pai na Califórnia se orgulha de ter feito isso", conta Ramsey. Outros levam as crianças para o país de origem, fazem a circuncisão e voltam para os EUA.
Há cerca de 130 milhões de meninas e mulheres circuncidadas no mundo e cerca de 2 milhões passam pelo procedimento a cada ano. Mas desde que a prática começou a ser divulgada, oito países africanos, o Egito e mais sete países ocidentais transformaram o costume bárbaro em crime.
Nos EUA, duas mulheres garantiram asilo político no país ao fugir da circuncisão - antes disso, travaram extensas batalhas jurídicas e passaram muitos anos em prisões para imigrantes. A ONU estima que ainda deve demorar três décadas até que se consiga erradicar a circuncisão feminina no mundo.” (abril de 2000)
*** Este exercício será aceito se enviado até às 12h do sábado, dia 12 de junho de 2010.
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Exercício Extra 02 - 2o Bimestre (ENCERRADO)
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